Sei que vou chorar!
Escrevendo essa página inicial, não estou sozinho. Aqui, falo por um monte de gente que já se foi, e mais um monte de gente que acompanha a vida da Mara.
Psicanalista, costumo analisar a alma humana pelo sofrimento que me é transmitido como demanda.
Hoje, me pego numa situação de demandante, afinal, vou falar de alguém especial.
Minha amiga, minha irmã e acima de tudo, uma das pessoas que me ensinou a viver a vida e principalmente ver a vida como ela se apresenta em cada dia que nasce, enfim minha "Primeira Professora".
A Mara, nunca quis ser astronauta... nem engenheira... nem médica... Ela sempre quis ser professora.
Hoje penso que ela foi tudo que não quis ser, sendo o que quis ser. Querem ver?????
Professora do supletivo, foi ser diretora... aos 21 anos!!!!
E não era a diretora das famigeradas novas diretrizes. Foi diretora de uma escola pobre, num bairro pobre, e sobretudo, de uma gente ilhada pelo preconceito e pela antítese do milagre do Brasil de 1970.
Posso garantir que ela foi astronauta.
Me lembro de mim, adolescente abobalhado pelas ruas de Porto Alegre, guiado pela mão de meu avô, aprendendo DEMOCRACIA. Com a Mara!!!!!!!!
"Avante professores de fé,
Unidos pela Educação..."
Lembram disso????
A Mara estava lá... Na praça da matriz....gritando, chorando e exigindo liberdade para ensinar e formar mentes mais livres e menos dependentes.
Jamais esquecerei aquele misto quente na rua Jerônimo Coelho que eu e meu avô pedimos, enquanto a Mara estava na praça, sufocada pelo gás lacrimogêneo da ditadura e à plenos pulmões por um mundo melhor e mais justo.
Posso garantir que ali ela foi engenheira edificando a base de suas próprias convicções, assim como o direito daqueles à quem ela um dia fosse representar.
Depois, mais curtida da lida de campo, foi ser diretora do Cândida.
Alguém, em sã consciência pode negar que a Mara foi Médica???
Hipócrates em seu princípio mais conhecido disse:
" Curar sempre que possível.
Aliviar, quando puder.
Consolar... SEMPRE!"
Por tudo, sinto um tremendo orgulho de ser irmão da Mara. E sei que aqueles que já se foram, e aqueles que não tem mais voz, também se orgulham de ter a Mara como referencial.
Quero manifestar de todo, minha gratidão.
Obrigado minha irmã Mara, por seres o doce de minhas amarguras...
Obrigado mulher Mara, por redimensionares os valores do dia e da noite...
Obrigado professora Mara, pelas lições de democracia!
André Lacerda
Inverno de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
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